Quando o problema não é dinheiro, é tempo
Médicos, sem tempo para viver!
Parece nome de filme de 007, mas é a dura realidade. Médicos salvam vidas todos os dias.
Precisam tomar decisões rápidas, lidar com pressão constante e carregar uma rotina que poucas profissões conseguem sustentar.
E justamente por isso, existe uma dor silenciosa que acompanha grande parte da carreira médica: a falta de tempo.
Tempo para descansar.
Tempo para planejar.
Tempo para conferir o que acontece fora do consultório ou do hospital.
Essa falta de tempo, embora pareça apenas um problema de agenda, é a raiz de muitos prejuízos jurídicos, tributários e previdenciários que só aparecem anos depois — quando corrigir já custa caro.
A rotina médica é insana.
Plantões longos.
Múltiplos vínculos, inúmeros compromissos.
Atuação como pessoa física, PJ, cooperado, sócio de clínica.
Mudanças frequentes de contrato e de regime de trabalho.
Na prática, o médico é obrigado a terceirizar tudo o que não é medicina:
- contabilidade
- impostos
- estrutura societária
- contribuições previdenciárias
- contratos
E isso é compreensível.
O problema surge quando ninguém confere.
Quando a falta de tempo gera prejuízos e sofrimento.
A maior parte dos problemas enfrentados por médicos não nasce de erro técnico, mas de decisões automáticas tomadas por terceiros, sem revisão jurídica.
Veja como a falta de tempo gera um efeito dominó:
🔹 Falta de tempo → tributação errada
Muitos médicos pagam mais impostos do que deveriam simplesmente porque a estrutura foi montada no “piloto automático”.
🔹 Falta de tempo → PJ médica mal estruturada
A PJ existe, mas não protege.
Em alguns casos, aumenta o risco fiscal.
🔹 Falta de tempo → CNIS incompleto ou incorreto
Plantões, vínculos temporários e períodos como PJ não aparecem corretamente no histórico previdenciário. E isso afeta sua vida desde o início da profissão até o momento de pensar em descansar.
🔹 Falta de tempo → aposentadoria incerta
O médico ganha bem hoje, mas não sabe como estará protegido amanhã.
Tudo isso acontece sem dor imediata, sem notificação, sem alerta.
O problema cresce em silêncio. E explode quando já pode ser tarde demais.
O paradoxo da carreira médica
Existe um paradoxo comum entre médicos experientes:
Quanto mais o médico trabalha, menos tempo tem para proteger a própria carreira.
É comum ouvir:
- “Meu contador cuida disso.”
- “Depois eu vejo.”
- “Nunca tive problema.”
Até o dia em que:
- surge uma autuação fiscal
- aparece uma inconsistência previdenciária
- uma clínica cresce e vira risco
- a aposentadoria não fecha como esperado
Nesse momento, o custo não é só financeiro.
É emocional e estratégico.
O erro não é falta de conhecimento — é falta de supervisão
O médico não precisa saber Direito.
Mas precisa saber quando algo merece atenção especializada.
Delegar é necessário.
Delegar sem supervisão jurídica é perigoso.
Contabilidade cuida de números.
Direito cuida de riscos. Não somente os reais, mas os potenciais.
E risco não revisado cobra juros altos no futuro.
Cuidar da estrutura jurídica é ganhar tempo, não perder
Existe uma ideia equivocada de que revisar a vida jurídica “dá trabalho”.
Na realidade, traz alívio.
Uma estrutura jurídica correta:
- reduz riscos
- evita retrabalho
- protege patrimônio
- traz previsibilidade
- libera o médico para focar no que realmente importa: a medicina
Conclusão
Tempo que não se vê
A maior dor do médico não é ganhar pouco.
É não ter tempo para perceber onde está perdendo.
O problema não é o médico não saber.
É não ter tempo para conferir.
Buscar orientação jurídica especializada não é sinal de problema.
É sinal de maturidade profissional.
André Mansur Brandão
Advogado especialista em Direito Tributário e Previdenciário
Diretor do André Mansur Advogados Associados
Atuação especializada na estrutura jurídica, tributária e previdenciária de médicos e clínicas médicas.
📌 Se desejar compreender melhor os riscos e oportunidades da sua estrutura jurídica e tributária, procure sempre um advogado especialista. Antes que seja tarde demais.


