“Esqueça tudo que disserem sobre mim e venha me conhecer!”
A frase acima soa como um grito de socorro em meio ao barulho ensurdecedor de um tribunal invisível. Na vida em sociedade, poucas coisas são tão repulsivas quanto a maldade sorrateira — aquela que não olha nos olhos, mas prefere o sussurro nos corredores, a intriga de canto de boca e o prazer sádico de desmantelar o outro sem lhe dar um direito mínimo de se defender.
A Anatomia do Mal-Dizer
Por que o fazem? A resposta varia entre o lucro e a patologia. Há quem destrua reputações para subir degraus, usando a ruína alheia como alicerce para o próprio sucesso. Há outros, porém, que o fazem por uma fofoca visceral, uma necessidade doentia de exalar o odor fétido da mentira apenas para preencher o vazio de suas próprias existências miseráveis.
O processo é de uma covardia ímpar:
- A Invasão Silenciosa: A mentira é uma arma de duas faces. De um lado, o autor que fabrica o veneno; do outro, o cúmplice que, sem critério ou humanidade, o repassa adiante.
- O Cerco: A propagação é rápida, intensa e cruel. Quando a vítima percebe, a narrativa já está pronta. O boato vira verdade por repetição, e os sussurros se tornam sentenças de morte social.
- A Invenção de Monstros e Heróis: Muitas vezes, esse jogo serve para criar falsos messias. Erguem-se “santos” sobre o cadáver moral de quem foi injustiçado.
O Poder da Plateia
O grande trunfo da maledicência não reside apenas em quem fala, mas em quem consome.
“O boato é uma mercadoria que só existe enquanto há compradores.”
Sem o ouvido atento, a língua maldosa perde o palco. Sem a plateia sedenta pelo escândalo, o mentiroso se vê forçado a encarar o silêncio de sua própria insignificância. Duvide sistematicamente de quem sempre tem um “dossiê” pronto sobre a vida alheia. Quem gasta o tempo esculpindo a imagem negativa de outrem, geralmente o faz para esconder as próprias rachaduras.
O Veneno no Frasco
Precisamos resgatar a coragem de formar nossas próprias opiniões. Conhecer o outro através da experiência direta, e não pelo filtro sujo de terceiros. Se parássemos de consumir a infelicidade alheia como entretenimento, os autores dessas tramas ficariam desempregados de sua própria maldade.
No fim, sem público para aplaudir a destruição alheia, o mentiroso morreria sufocado pelo próprio veneno, isolado em sua infelicidade, enquanto o mundo aprenderia, finalmente, a luz do discernimento.
E você? Já foi vítima da fofoca?


