Como a “maldade sorrateira” corrói a cultura corporativa e o que líderes e liderados podem fazer para romper esse ciclo.
“Esqueça tudo que disserem sobre mim e venha me conhecer!”
Esta frase deveria ser o lema de qualquer cultura organizacional saudável, mas a realidade é que ela soa como um grito de socorro em meio ao barulho ensurdecedor de um tribunal invisível: a rádio corredor.
Nas organizações, poucas coisas são tão repulsivas e caras para o ROI (Retorno sobre Investimento) quanto a maldade sorrateira. É aquela que não olha nos olhos, mas prefere o sussurro nos corredores, a intriga de canto de boca no chat privado e o prazer sádico de desmantelar um colega sem lhe dar um direito mínimo de defesa.
A Anatomia do Mal-Dizer no Trabalho
Por que profissionais fazem isso? A resposta transita entre a busca por benefícios políticos e a patologia comportamental. Nas empresas, há quem tente destruir reputações para subir degraus, usando a ruína alheia como alicerce para o próprio sucesso. Há outros, porém, que o fazem por uma necessidade doentia de preencher o vazio de suas próprias existências miseráveis e falta de competência técnica.
O processo é de uma covardia ímpar:
- A Invasão Silenciosa: A mentira é uma arma de duas faces. Temos o autor que fabrica o veneno e o cúmplice — aquele colaborador que, sem critério ou ética, repassa a informação adiante, alimentando o caos.
- O Cerco e o Gaslighting: A propagação é rápida e cruel. Quando a vítima percebe, a narrativa já está pronta nos altos escalões. O boato vira “verdade” por repetição, gerando isolamento e sentenças de morte social dentro do time.
- A Invenção de Falsos Heróis: Muitas vezes, esse jogo serve para criar falsos líderes. Erguem-se “santos corporativos” sobre o cadáver moral de quem foi injustiçado.
O Poder da Plateia Corporativa
O grande trunfo da maledicência não reside apenas em quem fala, mas na omissão de quem consome.
“O boato é uma mercadoria que só existe enquanto há compradores.”
Sem o ouvido atento da equipe, a língua maldosa perde o palco. Sem a plateia sedenta pelo escândalo, o mentiroso é forçado a encarar sua própria insignificância técnica e moral.
Dica de Liderança: Duvide sistematicamente de quem sempre traz um “dossiê” pronto sobre a vida ou o desempenho de um par. Quem gasta o tempo esculpindo a imagem negativa de outrem, geralmente o faz para esconder as próprias falhas de entrega.
Conclusão: O Antídoto da Experiência Direta
Precisamos resgatar a coragem de formar nossas próprias opiniões baseadas em fatos e convívio, não em filtros sujos de terceiros. Se as organizações parassem de validar a fofoca como ferramenta de gestão, os autores dessas tramas seriam sufocados pelo próprio veneno.
No fim, sem público para aplaudir a destruição alheia, resta ao mentiroso lidar com sua própria infelicidade profissional, enquanto a organização aprende, finalmente, o valor do discernimento e da segurança psicológica.


