Se você tem empresa em Belo Horizonte ou na Região Metropolitana (Contagem, Betim, Nova Lima, Sabará, Santa Luzia, Ribeirão das Neves…), deixe eu te dizer algo que pode poupar muito dinheiro e, principalmente, muita dor de cabeça:
A maioria das empresas não quebra por causa do valor do tributo.
Ela quebra por causa do erro de reação quando entra na dívida ativa.
E qual é esse erro?
O erro é tratar dívida ativa como “apenas uma guia para pagar” — e resolver no impulso.
Ou seja: pagar ou parcelar sem diagnóstico, sem conferir origem, prazos, inconsistências, alternativas e impacto no caixa.
Isso é mais comum do que parece — e custa caro.
Neste artigo, você vai entender:
- o que é dívida ativa (de um jeito simples);
- por que ela vira uma bola de neve em BH e região;
- qual é o erro que faz empresa perder dinheiro;
- como evitar o pior cenário (execução fiscal, bloqueios, certidão travada);
- o checklist de documentos para agir com estratégia;
- perguntas frequentes (FAQ) para você se orientar com segurança.
O que é dívida ativa (sem juridiquês)
Dívida ativa é, de forma bem direta, o momento em que o débito tributário (ou não tributário) sai da fase “administrativa” e passa a integrar o cadastro formal do ente público como dívida exigível — abrindo caminho para cobrança mais pesada, como protesto, restrições e execução fiscal.
Em linguagem de empresa:
- antes: “tem um problema que dá para tratar”
- depois: “virou problema que pode virar processo e travar a vida financeira do negócio”
E aqui entra a primeira verdade prática:
Dívida ativa não é o fim. Mas é o começo da urgência.
Por que a dívida ativa vira bola de neve (especialmente para PME)
Para PMEs, prestadores de serviço e comércio, o problema quase sempre vira “efeito dominó”:
- entra um débito
- para “ganhar tempo”, parcela no impulso
- o parcelamento pesa no caixa e quebra no meio
- o débito volta maior (com encargos)
- a certidão trava, o banco restringe, o cliente grande exige regularidade
- vem a execução fiscal e o susto vira pânico
O que mata, quase sempre, é a falta de método no início.
O erro que faz a empresa perder dinheiro: parcelar ou pagar “no susto”
Vamos colocar claro e direto:
✅ O que a empresa faz (errado)
- recebe aviso/notificação/negativação;
- alguém diz “melhor parcelar logo”;
- a empresa parcela ou paga sem checar:
- se o débito está correto;
- se existe duplicidade;
- se há prescrição/decadência;
- se a base de cálculo está certa;
- se a CDA (quando existir) tem requisitos válidos;
- se existe tese defensiva aplicável ao caso;
- se aquele parcelamento é o melhor formato para o caixa.
❌ O que isso causa
- você assume um compromisso financeiro pior do que precisava
- você “congela” alternativas que poderiam reduzir risco/custo
- você transforma um problema que era administrável em um problema de caixa
- você perde poder de negociação
- você cria um histórico de rompimento de parcelamentos (o que piora o cenário)
Resumo: o susto custa caro.
O que fazer no lugar: diagnóstico antes de qualquer decisão
A resposta não é “não pague”.
A resposta é: não decida no escuro.
Um diagnóstico bem feito costuma seguir três etapas:
1) Identificar a origem real do débito
Perguntas básicas que poucos fazem:
- qual tributo é?
- de qual período?
- como foi apurado?
- existe documento de origem?
- é municipal, estadual ou federal?
- há multa? por quê? em qual fundamento?
2) Checar riscos e prazos (o “fator tempo”)
Aqui está o coração do método:
- existe risco imediato de restrição?
- há processo em andamento?
- qual a chance real de execução fiscal?
- há risco de bloqueio?
- o que pode ser resolvido administrativamente?
- o que precisa de medida judicial?
3) Escolher o caminho mais inteligente para o caixa
Nem sempre o “melhor juridicamente” é o melhor financeiramente naquele momento.
E nem sempre o “melhor financeiramente” é o mais seguro no longo prazo.
O caminho certo é o que equilibra:
- proteção do caixa
- continuidade da operação
- segurança jurídica
- redução de risco e custo futuro
Dívida ativa em BH: sinais de alerta que você não pode ignorar
Se algum desses sinais está acontecendo, você precisa agir com método:
- sua empresa está com CND travada ou com dificuldade de emitir certidões;
- você recebeu comunicações de cobrança mais agressivas;
- houve protesto ou ameaça de protesto;
- você já rompeu parcelamento (ou está prestes a romper);
- existem indícios de execução fiscal (citação, intimação, movimentações);
- o contador “não consegue fechar” o histórico do débito com clareza;
- o banco apertou limites e o fluxo de caixa virou uma corda no pescoço.
O que dá para fazer na prática (sem promessas mágicas)
Aqui vão medidas reais — e comuns — dependendo do cenário:
A) Estratégia administrativa (quando ainda há espaço)
- esclarecer origem do débito;
- corrigir inconsistências;
- apresentar defesa/recurso quando aplicável;
- organizar documentos e narrativa antes que vire processo.
B) Negociação com método (e não “no impulso”)
Negociar não é só pedir desconto. É entender:
- qual é o risco real do ente público em cobrar;
- qual é o risco real da empresa em sofrer constrição;
- qual é o melhor formato que o caixa aguenta;
- quais garantias existem (e quais não devem ser oferecidas sem necessidade).
C) Medidas judiciais (quando o risco sobe)
Quando há execução fiscal ou risco próximo, pode ser necessário:
- contestar aspectos formais e materiais;
- buscar medidas para evitar abuso e garantir proporcionalidade;
- proteger a operação e o fluxo.
Importante: cada caso pede análise documental. O “jeito certo” é sempre o jeito correto para aquele conjunto de documentos.
Checklist rápido: documentos que você deve separar (antes de decidir pagar/parcelar)
Se você quer agir como empresa grande (mesmo sendo pequena), comece aqui:
- notificações/intimações/auto de infração (se houver)
- parcelamentos anteriores (comprovantes e termos)
- guias de recolhimento e extratos de pagamentos
- relatórios do contador sobre o período (quando existir)
- CDA (se já houver inscrição formal e título)
- prints/relatórios que mostrem travas de certidão (se houver)
- histórico do débito por competência/ano (organizado)
Quanto mais organizado, mais rápido se define:
- risco real
- rota adequada
- custo e prazo
- melhor saída para o caixa
“Certidão negativa travada” em BH: por que isso dói tanto?
Para muita empresa em BH, a certidão é o que separa:
- crédito bancário liberado vs. negado
- contrato grande assinado vs. perdido
- licitação ou fornecimento vs. exclusão
- parceria com empresa maior vs. “volta depois”
E aqui entra outra dor invisível:
às vezes o prejuízo não é a dívida. É o negócio que você deixa de fechar.
Por isso dívida ativa precisa ser tratada como gestão de risco, não como “guia para pagar”.
Os 7 erros mais comuns quando a empresa cai na dívida ativa
Se você quiser um “espelho” para checar onde está errando:
- Parcelar no impulso para “aliviar a cabeça”
- Assumir valor sem conferir origem (duplicidade, período, base, multa)
- Deixar o tema só “na mão do contador” sem estratégia jurídica quando vira risco
- Ignorar o impacto do parcelamento no fluxo (parcelamento que o caixa não aguenta)
- Romper parcelamento repetidamente e piorar a situação
- Só agir quando chega execução fiscal ou bloqueio
- Não organizar documentos (sem documento, você vira refém do susto)
O caminho inteligente: plano em 5 passos
Se você quer uma rota prática:
Passo 1 — Pare o impulso
Não pague/parcel e “no susto”.
Passo 2 — Levante documentos (checklist acima)
Sem documento, você decide no escuro.
Passo 3 — Diagnóstico técnico (origem + prazos + risco)
Aqui se separa “barulho” de “ameaça real”.
Passo 4 — Escolha a rota (administrativa / negociação / judicial)
Com objetivo claro: proteger caixa e operação.
Passo 5 — Acompanhe e previna reincidência
O melhor conserto é o que impede o problema de voltar.
Se você está em Belo Horizonte ou Região Metropolitana e sua empresa entrou na dívida ativa (ou está prestes a entrar), o pior movimento é agir no susto.
O caminho mais seguro é uma análise técnica baseada em documentos (notificações, parcelamentos, guias, histórico e, quando houver, CDA) para definir a melhor rota: administrativa, negociação ou judicial — com foco em proteger o caixa e a operação.
André Mansur Brandão – Advogado (OAB/MG 87.242)
Atendimento em Belo Horizonte (MG)
WhatsApp: (31) 99157-1356


