13 de Maio • Abolição da Escravatura

A alegria sorriu até o dia seguinte.
A liberdade durou uma noite.

Uma reflexão sobre a liberdade prometida, a dignidade negada e a resistência que atravessa gerações.

“A alegria sorriu até o dia seguinte.
A liberdade durou uma noite.”

Há 138 anos, em 13 de maio de 1888, a Abolição da Escravatura foi assinada no Brasil. Fruto de muita luta — de homens e mulheres, pretos e brancos — que viveram e morreram pelo direito à liberdade do povo negro neste país.

Os grilhões e os pelourinhos foram quebrados. As senzalas, esvaziadas. O povo escravizado sonhou com a liberdade. Tambores ecoaram por todo o Brasil. Seriam, enfim, senhores e senhoras de seus corpos. Mães e pais de seus filhos.

A alegria sorriu até o dia seguinte.
A liberdade durou uma noite.

O 14 de maio amanheceu com fome e desalento. Milhões de pessoas pretas foram despejadas — sem direito ao trabalho, à moradia, à sobrevivência.

O Estado, comandado pelos barões do café e do açúcar, fechou as portas: sem contratação, sem terra, sem cidadania. Foram libertadas dos grilhões e aprisionadas pela fome.

Uma liberdade acorrentada

Há 138 anos, continuamos sob a “chibata da opressão” — numa liberdade acorrentada pela miséria: sem teto, sem terra, sem educação, sem saúde, sem trabalho digno.

O que os opressores não previam, porém, é que somos guerreiros e guerreiras.

Em nossas veias corre o sangue e a sabedoria de Aqualtune, da Revolta dos Malês, de Dandara dos Palmares, Tereza de Benguela, Maria Firmina dos Reis, Adelina Charuteira, Zumbi dos Palmares, Ganga Zumba, Chico Rei e João Cândido.

Lutar pela liberdade é a nossa gênese.

Hoje, reverenciamos os heróis anônimos que tombaram no front da luta por sobrevivência, dignidade, direitos sociais e trabalhistas, igualdade e equidade.

É dia de tocar nossos tambores para ecoar que nossa resistência ainda é urgente.

Só seremos livres quando conquistarmos o direito à igualdade real.

E quando retomarmos o que nos é negado há séculos: o direito de sermos reconhecidos como seres humanos plenos.

Texto de Palowa Mendes — uma das mulheres mais incríveis que tive a honra de conhecer, que nos brinda com suas experiências reais, com seus sentimentos mais sinceros e com a sua história real de vida.

www.andremansur.com.br

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