Quem gosta de uma história de Natal totalmente fora de época?
O Natal é uma data muito especial para quase todos, correto? Mesmo quem não compartilha de seus motivos religiosos e cristãos acaba gostando por conta dos feriados e da comida abundante, que supostamente deixará nossos corpos no dia 01 de janeiro do ano seguinte.
Apesar de especial, é uma época perigosa para os corações moles. Muito perigosa…
Joãozinho, um menino de seus nove anos, já estava calejado. Desde os seus quatro aninhos de vida, sempre pediu presentes ao Papai Noel. Nem bem tinha aprendido a escrever suas primeiras palavras, ainda na fase da pré-escrita, ele já mandava sua lista de presentes para o bom velhinho.
Ele colocava suas cartinhas em uma caixa de correio próxima à sua casa, destinada ao Polo Norte. Nunca, todavia, foi atendido.
Naquele ano, porém, ele resolveu mudar a estratégia: não pediu brinquedo, pediu socorro. Não por esperteza, mas por absoluta e real necessidade. Sua vovó estava doente e o remédio custava exatos quinhentos reais.
Joãozinho escreveu a carta com a alma:
“Papai Noel, se não for por mim, que seja pela minha vovozinha. Me ajuda com esses quinhentos?”
Selou o envelope e endereçou ao Polo Norte. A carta caiu no setor de triagem dos Correios. Os funcionários, gente de carne, osso e pouco salário, abriram o envelope e o choro foi geral.
Tocados pela fé do menino, fizeram uma vaquinha. Entre moedas e notas amassadas de quem também passa aperto, conseguiram juntar quatrocentos e trinta reais.
— “Não são os quinhentos, mas é o que temos de coração”, pensaram.
Colocaram no envelope oficial, escreveram “De: Papai Noel / Para: Joãozinho” e o carteiro fez a entrega pessoalmente na caixinha de correio do garoto.
Três meses depois, surge uma nova carta de Joãozinho para o bom velhinho. O pessoal do Correio, ansioso pelo agradecimento, abriu o envelope com um sorriso no rosto. E leram:
“Querido Papai Noel, eu não tenho palavras para te agradecer. O senhor salvou a vida da minha vovozinha. Mas queria te pedir uma coisa: se um dia o senhor precisar me mandar dinheiro de novo, por favor, não manda pelo Correio não… Os filhos da p*** de lá me roubaram setenta reais!”
A moral da história?
Na advocacia e na vida, a gente aprende que a gratidão é um artigo de luxo. Muitas vezes, você move o céu e a terra para salvar alguém de um abismo e a pessoa, em vez de olhar para o precipício de onde não caiu, prefere reclamar do tamanho da corda que você usou para puxá-la.
Cuidado com quem você decide ser o “Papai Noel”. Às vezes, o maior favor que você faz a um ingrato é deixá-lo descobrir, sozinho, que o Polo Norte é um lugar muito frio.
Seja como for, quando for fazer algo, faça porque é o certo a se fazer. Não espere gratidão, aplausos ou gestos emocionados de reconhecimento.
Ah, e não fique triste se, além de não te agradecerem, ainda te criticarem. Nada disso importa. Sabe por quê? Porque, acima de tudo e de todos, existe um Deus que está vendo tudo. Que está dentro do seu coração, que vê suas intenções. Mesmo que ninguém veja o que você está fazendo, Deus sabe. E isso é suficiente!


