A Reforma Tributária sobre o consumo está redesenhando o sistema brasileiro — e o Simples Nacional está no centro dessa transição. A chegada do IBS e da CBS não é “só” uma mudança de lei: é uma alteração estrutural que afeta preço, margem, competitividade, crédito tributário e fluxo de caixa, principalmente para micro e pequenas empresas.
Se você é gestor, contador ou advogado tributarista, este guia vai direto ao ponto: o que tende a mudar, onde estão os riscos, e como montar um plano de preparação desde já.
Aviso importante: como a regulamentação ainda pode detalhar pontos operacionais, o foco aqui é orientar o raciocínio estratégico e os principais impactos, com medidas práticas de preparação.
O que são IBS e CBS e por que isso afeta o Simples Nacional
De forma simples:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) tende a substituir/absorver a lógica de tributos federais sobre o consumo.
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) tende a reorganizar a tributação do consumo em âmbito subnacional.
O ponto central é que IBS/CBS trabalham com uma lógica mais moderna de tributação do consumo, em que cadeia, créditos e neutralidade ganham muito peso. E isso encosta no Simples porque, no mercado real, empresas compram e vendem olhando crédito, preço final e previsibilidade.
Por que o Simples está no centro da mudança
O Simples Nacional sempre foi, na prática, um regime de simplificação — mas ele também criou um efeito colateral relevante: em muitos setores, a empresa do Simples pode ficar menos atrativa como fornecedora quando o comprador valoriza aproveitamento de créditos e composição do custo tributário na cadeia.
Com IBS e CBS, a tendência é que essa análise fique ainda mais rígida e técnica no B2B (empresa vendendo para empresa), exigindo preparo para defender preço, margem e posição na cadeia de fornecedores.
Resumo em 30 segundos (para o leitor apressado)
A Reforma Tributária (IBS e CBS) torna crédito, cadeia de fornecedores e custo efetivo ainda mais relevantes. Para empresas do Simples Nacional, o risco principal não é apenas “pagar mais”, mas perder competitividade no B2B, errar precificação e sofrer no fluxo de caixa durante a transição. A solução é tratar a Reforma como projeto de gestão: mapear exposição B2B/B2C, simular cenários, revisar contratos, ajustar precificação e alinhar fiscal–financeiro–vendas.
O que tende a mudar para empresas do Simples
A Reforma pode impactar o optante do Simples em pelo menos 5 frentes práticas:
1) Competitividade no B2B (cadeia de fornecedores)
Se o comprador compara fornecedores por custo efetivo, e esse custo envolve créditos e preço, a empresa do Simples precisa se posicionar com clareza para não perder espaço — ou para ganhar espaço com uma estratégia bem feita.
Na prática, pode haver mais pressão por:
- renegociação de preço;
- ajuste de condições comerciais;
- clareza contratual sobre repasse e composição de tributos.
2) Crédito tributário e “valor de ser fornecedor”
Uma parte do mercado escolhe fornecedor pensando em quanto consegue recuperar/compensar na cadeia. Se a empresa do Simples não “entrega” crédito da forma esperada, ela pode sofrer na precificação.
Consequência típica: o comprador pede desconto para “compensar” o crédito que ele não terá (ou terá de modo diferente).
3) Modelo híbrido de recolhimento (tendência)
A discussão do modelo híbrido aparece como uma solução para conciliar:
- a simplificação do Simples (para MPE);
- com a lógica de IBS/CBS (cadeia e créditos).
O risco é a empresa ficar no “meio do caminho” sem entender a regra e acabar:
- pagando a mais;
- precificando errado;
- ou perdendo competitividade.
4) “Por dentro” ou “por fora” da guia: preço e margem
A forma de recolhimento (e como isso aparece na composição do preço) influencia:
- margem líquida;
- percepção de preço;
- negociação com clientes.
Em cenários de transição, o que mata MPE não é só alíquota — é improvisar preço sem saber o impacto no caixa.
5) Transição e fluxo de caixa
Mesmo quando a carga total não “explode”, o que costuma doer é:
- mudança de timing (quando paga);
- mudança de base;
- ajuste de preço sem refletir no caixa;
- falta de provisão na transição.
Reforma é execução. E execução mexe com caixa.
Os principais riscos para o Simples na Reforma (que pouca gente está mapeando)
- Canibalização comercial no B2B: perder contratos por falta de estratégia de crédito/preço.
- Precificação errada por 90 dias: período suficiente para virar prejuízo recorrente.
- Contrato “cego”: sem cláusula de repasse/revisão, a empresa absorve custo sozinha.
- Equipe desalinhada (vendas x fiscal x financeiro): cada setor fala uma língua.
- Falta de simulação por cenário: “achismo” em vez de números.
Como se preparar: plano prático (Checklist)
Aqui vai um checklist objetivo para você iniciar agora:
1) Faça um “mapa de exposição” do seu faturamento
- % B2B vs B2C
- top 20 clientes e quais exigem crédito/condições fiscais
- quais produtos/serviços têm maior sensibilidade de preço
2) Simule cenários (mínimo 3)
- cenário conservador (impacto baixo)
- cenário provável (impacto médio)
- cenário estressado (impacto alto)
Meta: enxergar impacto em margem e caixa, não só em “alíquota”.
3) Revise contratos e propostas comerciais
Inclua (ou revise) cláusulas como:
- reajuste por mudança tributária;
- repasse e revisão de preço;
- reequilíbrio econômico (quando aplicável);
- transparência de composição.
4) Ajuste a estratégia de precificação
- defina política clara de repasse;
- padronize argumentação comercial;
- tenha modelo de planilha e margem por item/serviço.
5) Treine o tripé interno (fiscal + financeiro + vendas)
Faça uma reunião mensal (curta) com pauta fixa:
- mudanças e alertas;
- impacto em preço;
- impacto em caixa;
- top casos/clientes.
O que o gestor precisa dominar (em uma frase)
Entender IBS/CBS no Simples não é decorar regra: é saber como isso afeta preço, crédito, negociação e caixa — e agir antes do mercado.
Conclusão
A Reforma Tributária vai acontecer — e, para as empresas do Simples Nacional, o divisor de águas não será apenas “quanto vai pagar”, mas como vai vender, como vai precificar e como vai sustentar margem e caixa durante a transição. IBS e CBS mexem na lógica do consumo e, na prática, empurram o mercado para decisões mais técnicas: crédito, cadeia de fornecedores, custo efetivo e previsibilidade. Quem ignorar esse movimento pode até manter o faturamento por um tempo… mas corre o risco de ver a rentabilidade escorrer silenciosamente, mês após mês.
Por isso, a preparação precisa ser tratada como projeto de gestão — não como leitura de última hora. Mapear exposição B2B/B2C, simular cenários, revisar contratos, alinhar fiscal–financeiro–vendas e ajustar a estratégia de preço não é burocracia: é proteção de margem e defesa de mercado. Em transições desse porte, o maior prejuízo costuma nascer do improviso: preço errado por meses, cláusula contratual inexistente, equipe desalinhada e decisões baseadas em achismo.
A boa notícia é que a Reforma também abre espaço para vantagem competitiva real. Empresas e escritórios que organizarem processos e dominarem a lógica de IBS/CBS com antecedência terão mais controle do próprio destino: negociam melhor, precificam com segurança, reduzem risco de caixa e se posicionam melhor na cadeia de fornecedores. Em resumo: o novo sistema não premia quem adivinha — premia quem se prepara.
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André Mansur Brandão Advogados
Especialista em Direito Tributário
Belo Horizonte – MG
Atuação estratégica em planejamento tributário, contencioso e consultoria para empresas.


