Se você vive contando os dias para o salário cair na conta — e ele já sai menor do que entrou — este texto é para você.

Milhões de brasileiros estão presos a empréstimos, seguros que nunca pediram, pacotes bancários obscuros e descontos automáticos que parecem inevitáveis. Mas a verdade é simples e libertadora:

você não é propriedade do banco.

E, mais importante: a lei evoluiu para deixar isso claro.

Quando o banco passa do limite

Muitos consumidores enfrentam situações como:

  • desconto automático em conta-salário, sem autorização clara;
  • empréstimos “amarrados” a seguros prestamistas que ninguém explicou;
  • dificuldade (ou sabotagem) na portabilidade do salário ou do crédito;
  • contratos longos, confusos, sem transparência real.

O problema não é apenas financeiro.

É emocional, psicológico e, muitas vezes, humilhante.

E isso importa.

A nova lei deixou algo muito claro

A Lei 15.252/2025 reforçou um direito essencial:

👉 o seu salário é seu — e você pode levá-lo para onde quiser.

Isso significa que:

  • o banco não pode dificultar a portabilidade do seu salário;
  • o banco não pode “segurar” você por meio de descontos automáticos abusivos;
  • o crédito não pode ser condicionado a produtos que você não escolheu livremente.

Essa mudança se conecta diretamente ao avanço do Open Finance e às regras do Banco Central do Brasil, que vêm pressionando o sistema financeiro por mais concorrência e menos aprisionamento.

Seguro prestamista imposto é abuso

Muita gente descobre — tarde demais — que paga um seguro junto com o empréstimo.

E quase sempre vem a pergunta:

“Mas eu fui obrigado a contratar?”

O entendimento hoje é claro.

O Superior Tribunal de Justiça, no Tema 972, firmou posição de que:

o consumidor não pode ser compelido a contratar seguro com o banco ou seguradora indicada por ele.

Quando isso acontece, há forte indício de venda casada, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

E sim: valores pagos podem ser devolvidos.

Conta-salário não é caixa-preta do banco

Outro ponto crucial: conta-salário não é conta comum.

Ela existe para receber remuneração.

Não para:

  • “varrer” parcelas automaticamente;
  • engolir tarifas;
  • garantir lucros silenciosos ao banco.

Quando o desconto compromete a subsistência, o Judiciário tem reconhecido abuso — inclusive concedendo tutelas de urgência para suspender cobranças imediatamente.

Endividamento não tira sua dignidade

Talvez este seja o ponto mais importante.

Endividamento não é falha moral.

Não é sinal de incompetência.

Muito menos de culpa.

O problema surge quando instituições financeiras se aproveitam da vulnerabilidade do consumidor para impor contratos, produtos e barreiras artificiais.

E isso pode, sim, violar a dignidade da pessoa humana.

Você tem direito a:

  • clareza;
  • escolha;
  • informação;
  • sobrevivência financeira mínima.

O que você pode fazer agora

Se você suspeita que:

  • está pagando algo que nunca escolheu;
  • seu salário está sendo drenado sem explicação clara;
  • o banco dificulta sua saída;

procure orientação jurídica especializada.

Não para “dar calote”.

Mas para reorganizar sua vida financeira dentro da lei.

Às vezes, a virada começa com uma simples pergunta feita no momento certo.

Uma última verdade

Banco nenhum é dono do seu salário.

Contrato nenhum vale mais que sua dignidade.

E dívida nenhuma retira o seu direito de recomeçar.

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